A XIX Marcha a Brasília em Defesa dos
Municípios teve abertura oficial nesta terça-feira, 09, no Centro Internacional
de Convenções do Brasil – CICB, na capital Federal. Os desafios de final de
mandatos compuseram o tema principal do evento, organizado pela Confederação
Nacional de Municípios – CNM. Além da prestação de contas final das gestões, o
processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, em
tramitação no Senado Federal, foi citado nos discursos das autoridades que
abriram a cerimônia.
A marcha teve mais de quatro mil inscritos, segunda a CNM.
A presidente Dilma Rousseff não
compareceu ao evento, nem tampouco enviou representante. O Senado Federal foi
representado pela senadora Ana Amélia, enquanto a Câmara dos Deputados teve a
representação do deputado Federal Cláudio Cajado. O Tribunal de Contas da União
– TCU foi representado pelo ministro Augusto Nardes e a Ordem dos Advogados do
Brasil – OAB pelo presidente Cláudio Pacheco Prates Lamachia.
Colapso
O anfitrião do evento e presidente da
CNM, Paulo Ziulkoski, apresentou discurso pessimista durante a abertura, ao
observar a crise financeira, atrelada à crise política. “Os Municípios não
estão em crise, já entraram em colapso, pois estão no caos. Eu não conheço
nenhum que não esteja, em um ponto ou em outro, no vermelho”, disse o líder municipalista,
ao agradecer a participação de milhares de prefeitos e gestores municipais,
além das lideranças convidadas. Ziulkoski ressaltou ainda os desafios do final
de mandato e as projeções para os próximos meses.

Presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, abre a rodada de discursos de abertura da XIX Marcha a Brasília
Representou a região norte
O presidente da Associação
Tocantinense de Municípios – ATM e prefeito de Brasilândia do Tocantins, João
Emídio de Miranda, foi convidado pela diretoria da CNM para discursar em nome
de todos os Municípios da região Norte. “Nós temos realidades distintas das
demais regiões do Brasil, com problemas relacionados ao repasse dos recursos da
Saúde e do Transporte Escolar, sem contar no financiamento da segurança pública
feito pelas prefeituras. Vamos apresentar ao conselho político da CNM as
demandas dessa região, para que sejam encabeçadas lutas direcionadas ao
desenvolvimento do Norte brasileiro”, disse.

Presidente da ATM e prefeito de Brasilândia do Tocantins, João Emídio de Miranda, discursa na Marcha, ao representar os Municípios da região Norte do Brasil
Senado e Câmara
A senadora Ana Amélia ressaltou em
seu discurso que crise nos Municípios antecede as crises existentes no País.
“Eu vejo dos dois lados a crise da federação, que é tão grave quanto à crise
política, institucional e econômica. Por que houve realmente uma falência do
sistema e não estão dando conta da dimensão da importância da implementação de
um justo pacto federativo”, disse a parlamentar.

Senadora da República, Ana Amélia, discursa aos presentes
Por sua vez, o deputado Federal
Cláudio Cajado, teceu elogios ao maior evento municipalista da América Latina.
“Mesmo diante da maior crise da República Federativa do Brasil os prefeitos
comparecem em massa e lotam este auditório. Isso demonstra que a Marcha a Brasília
representa a maior reivindicação do movimento municipalista, e a pauta aqui
discutida deve ser observada, debatida e apresentada no Legislativo Nacional”,
disse.
Tocantins
Cerca de 200 pessoas do Estado do
Tocantins compareceram na Marcha. Desse número, 64 são prefeitos, sendo que o
restante corresponde à vereadores, vice-prefeitos, secretários municipais e
demais agentes municipalistas. A abertura do evento foi prestigiada pelos
deputados federais do Tocantins, Josi Nunes e Vicentinho Junior.
Programação
Os participantes da Marcha observam
ainda o panorama e contextualização do momento crítico do movimento
municipalista: restos a pagar, repasse de transferências constitucionais e
voluntárias nas áreas de saúde e educação e outros, apresentados pelos técnicos
da CNM. Além disso, o evento apresenta os impactos negativos em razão da crise
no cenário econômico, com reflexos diretos na gestão municipal, e alternativas
para superar as dificuldades do encerramento de mandato.