+Municípios protestam contra crise financeira e exigem justiça tributária, Pacto Federativo e correção de valores
Publicado em: 28 de Setembro de 2015 Atualizado em: 8 de Janeiro de 2021
O presidente da ATM e prefeito de Brasilândia, João Emídio de Miranda, acompanhado de 17 prefeitos, concedeu entrevista coletiva à imprensa na manhã desta segunda-feira, 28, considerado o dia “D” da paralisação, para justificar e esclarecer os motivos do manifesto. Emídio explicou o grave cenário econômico e político que aflige as gestões municipais.
“Considerado a principal receita de 125 municípios tocantinenses, o Fundo de Participação dos Municípios – FPM se deteriorou nos últimos anos na casa dos R$ 547 bilhões de reais, sendo que aqui no Tocantins a perca foi de cerca de 8 bilhões de reais”, disse, ao criticar o Governo Federal de promover incentivos utilizando os recursos compartilhados entre Estados e Municípios.

Presidente da ATM, João Emídio (centro) repassa os números da crise durante coletiva de imprensa
Desonerações
e aumentos
O presidente da ATM revelou que os municípios
tocantinenses deixaram de receber R$ 1.745.448.925,00 de FPM com as
desonerações de impostos ocorridas de 2008 a 2014, principalmente sobre aqueles
tributos que compõem o fundo. “À época deram-se incentivos como a redução do
Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre carros e produtos eletrônicos
para aquecer a economia. Contudo, o IPI é um dos impostos que constituem o FPM,
e a política favoreceu o crescimento econômico, mas fragilizou o equilíbrio das
finanças municipais”, enfatizou.
Outro agravante apresentado
pelo presidente da ATM refere-se ao aumento do salário mínimo e pisos
salariais. Em 2016, a previsão de impacto total nas contas de todos os
municípios do Tocantins com o aumento do salário mínimo será entorno de R$ 42 milhões
de reais. O Piso Nacional do Magistério Público aumento 87,9% de 2010 até 2015,
saindo da casa dos 1.024,00 para a casa dos 1.917,78. Tanto as receitas para o
pagamento do aumento salarial quanto para a quitação dos piso não são indicadas
pelas respectivas leis que elevam esses valores. “Ou seja, cria a obrigação
para os Municípios mas não indicam a fonte de pagamento”, ironizou João Emídio.
Pacto
Federativo
Presente na Coletiva de
Imprensa, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha, crítico o modelo de partilha dos
recursos na federação. “Deveria ocorrer o inverso, ou seja, os Municípios é que
deveriam repassar os recursos para o Estado e União para manutenção de suas
máquinas, e assegurar para si o dinheiro para a manutenção e execução dos
serviços públicos. Alias, tudo ocorre nos Municípios e somos nos prefeitos que
recebemos toda a cobrança da população”, criticou. Atualmente, 60% das receitas
fica com a União, enquanto os Estados recebem 25% e os Municípios apenas 15%.
Defasagem
Segundo o prefeito de
Miranorte, Frederico Henrique de Melo, os valores repassados pela União para a
execução de programas compartilhados encontram-se defasados. “Tenho uma
população de cerca de 14 mil habitantes e só chega para o Município cerca de R$
5 mil para a Farmácia Básica. O que dá para comprar com isso diante da demanda?”
questionou o prefeito, ao lembrar ainda que o valor da merenda escolar por
aluno/dia corresponde a R$ 0,30 centavos. “O que dá para comprar com isso?”,
questionou mais uma vez o gestor de Miranorte.
Segundo pesquisa da
Confederação Nacional de Municípios – CNM, o Programa Saúde da Família – PSF custa
em média R$ 30 mil ao mês ao Município. Contudo, os cofres municipais recebem para o cumprimento
do programa cerca de R$ 10 mil. A situação se complica ainda mais quando se
trata dos investimentos em saúde e educação. Por lei, os Municípios deveriam
investir cerca de 15% dos recursos na área da saúde, mas acabaram gastando em
2014 uma média de 23% das verbas. Na educação, os entes municipais deveriam
investir 25% de recursos na área, mas acabaram investindo 29% em 2014, apontou
a CNM.
A paralisação segue até esta
sexta-feira, 02 de outubro.
Veja abaixo imagens de prefeituras que aderiram à paralisação
Prefeitura de Bandeirantes Prefeitura de Marianópolis Prefeitura de Goianorte

