+Pesquisa revela que a segurança pública do Estado está desestruturada e conta com poucos recursos
Publicado em: 30 de Março de 2016 Atualizado em: 8 de Janeiro de 2021
Levantamento realizado pela
Associação Tocantinense de Municípios (ATM) e Instituto de Pesquisas,
Propaganda e Projetos Econômicos e Sociais (IPEPE), entre os meses de janeiro e
fevereiro de 2016, com prefeitos de 60 municípios tocantinenses, revela dados
preocupantes no âmbito da segurança pública. Pela metodologia utilizada, todas
as microrregiões do Estado foram contempladas pelo estudo, incluindo, além das
pequenas, as médias e grandes cidades. Pelos dados levantados, 61,67% das cidades
pesquisadas não possuem delegados de polícia, porém 38,33% dos municípios
pesquisados possuem delegado de polícia. Apesar de 38,33% das delegacias
funcionarem em prédios próprios, 35% funcionam em prédios alugados, 10%
funcionam em prédios cedidos. Já 15% das cidades pesquisadas não possuem
delegacia de polícia. Por fim, 1,67% não opinaram. Condições Segundo os dados, 3,33% das
delegacias estão enquadradas como muito seguras, ao passo que 21,67% são apenas
seguras. Todavia, 28,33% dessas unidades são mais ou menos seguras, 13,33% são inseguras
e 13,33% muito inseguras. Por fim, 20% não opinaram ou não souberam opinar. Por
conseguinte, o estado de funcionamento das viaturas teve o seguinte resultado: 40%
não estão em bom estado de funcionamento, contra 30% que estão em bom estado e
6,67% que disseram que algumas estão em bom estado de funcionamento.
Entretanto, 18,33% declararam que nos seus municípios não existem viaturas
policiais. Municípios ajudam manter a segurança; efetivo policial deficiente nas
cidades No que se refere às ajudas que a
municipalidade realiza com a segurança local, cuja responsabilidade é do
Estado, 36,67% dos gestores dizem que contribui com combustível, 11,67% com a
alimentação de presos, 25% com aluguel do prédio da delegacia, 28,33% com
pagamento de funcionários e 31,67% com material de expediente e limpeza.
Entretanto, 15% disseram que não ajudam com absolutamente nada. Em relação ao
efetivo policial, 66,67% garantem que o efetivo policial do município é pequeno,
contra 18,33% que afirmam ser médio e 13,33% declararam que em seus municípios não
há efetivo de polícia. Por sua vez, não houve respostas para ef etivo policial grande.
Foto Divulgação: SSP/TO Crime organizado A pesquisa apontou que na opinião de
56,67% dos respondentes o efetivo policial da sua cidade não está preparada
para enfrentar o crime organizado, contra 5% apenas que afirmam que o referido
efetivo está preparado. Porém, 26,67% garantem que o efetivo está mais ou menos
preparado para enfrentar o crime organizado. Por fim, 11,67% não opinaram.
Ainda segundo a pesquisa, só em 2015 houve 28,33% ocorrências de assalto nas
agências bancárias nas cidades pesquisadas, 15% de explosões de caixas
bancários. Assalto e explosões de caixa (3,33%), assalto e arrombamento (5%);
assaltos seguidos de arrombamento e explosões de caixas (25%) e explosões de
caixas e arrombamento (1,67%). Finalmente, 16,67% dos municípios não houve
ocorrência dos delitos citados. Ato
contínuo foi aferido o índice de assaltos nas agências dos correios em 2015. De
acordo com os dados, em 40% dos municípios sondados aconteceram assaltos, porém
em 56,67% não houve registros do aludido delito. E mais, em 33,33% das agências a prática
criminosa aconteceu mais de uma vez no período de 2015. Foto Divulgação: SSP/TO Drogas Em relação ao consumo de droga, 93,33%
dos prefeitos ouvidos declararam que o problema é muito preocupante ou preocupante.
Já 3,33% colocaram que o problema é
mais ou menos preocupante e 3,33% que garantem que o problema não é ainda preocupante.
Passo seguinte foi questionado os investimentos do governo estadual em
segurança pública nos municípios. Pelos dados colhidos, 41,67% informaram que o
governo estadual tem investido pouco, enquanto 35% responderam que o governo
tem investido muito. Para 11, 67% os investimentos estão sendo razoáveis. Já
11,67% não opinaram. Autoridades repercutem os dados da pesquisa Para o presidente da ATM e prefeito
de Brasilândia, João Emídio, o objetivo da pesquisa foi aferir os dados de uma
área que a cada dia preocupa mais as populações das cidades e, a partir daí, a
entidade colaborar com o governo e as instituições. “Os dados levantados são
preocupantes. Vou propor uma audiência em Brasília com a nossa bancada, sugerir
que seja marcada uma audiência em conjunto com o ministro da Justiça, a fim de
alavancarmos recursos para construção de delegacias nos municípios que não há
delegacias, bem como no aparelhamento da polícia como um todo. Estamos conscientes
que o problema não nasceu agora, herança ainda de quando pertencíamos ao estado
de Goiás”, declarou. O prefeito de Chapada da Natividade,
Djalma Rios, cidade localizada no Sudeste do Estado e que não conta com efetivo
de polícia, disse que a preocupação é cotidiana com a segurança pública da
cidade. “Além dos problemas locais inerentes ao consumo de drogas, por outro
lado região garimpeira, a cidade é rota de saída para Bahia e Brasília, o que
facilita a prática criminosa tanto aqui como na região. No ano de 2015 tivemos
assalto numa casa lotérica e não podemos fazer nada, visto que até chegar o
socorro da cidade de Natividade, os bandidos já haviam empreendido fuga”,
desabafou. Já o deputado Nilton Franco (PMDB),
que preside a Comissão de Segurança Publica da Assembleia Legislativa, afirmou
que vai promover uma reunião com os pares da Casa e propor que os parlamentares
destinem recursos de suas emendas para construção de delegacias nas cidades que
estão desprovidas de unidades prisionais. “Vou propor uma parceria de trabalho
com a ATM, a mais legítima entidade municipalista do Estado, com o nosso
governador Marcelo Miranda, para encontrarmos saída para um problema que é
sério e que nos intranqüiliza a cada dia. Vamos destinar recursos das nossas
emendas para qualificar e aparelhar a segurança pública nos municípios em que o
problema é mais delicado” asseverou.

