+Seminário reunirá especialistas para discutir novo conceito de trabalho escravo
Publicado em: 22 de Janeiro de 2016 Atualizado em: 8 de Janeiro de 2021
Debater o conceito de trabalho escravo contemporâneo é o objetivo
central do Seminário Estadual sobre Trabalho Escravo Contemporâneo, que
ocorrerá no próximo dia 26 de janeiro, no auditório do Palácio Araguaia, em
Palmas, das 8 às 18 horas. O evento é realizado pela Comissão Estadual para a
Erradicação do Trabalho Escravo no Tocantins (Coetrae-TO), grupo formado por
diversas instituições e órgãos, vinculado à Secretaria de Estado de Defesa e
Proteção Social (Sedeps). As inscrições para interessados em participar do
evento podem ser feita no site da Sedeps (defesasocial.to.gov.br).
Além do seminário no dia 26, como programação integrante da Semana
Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, uma campanha nacional da Comissão
Pastoral da terra (CPT), denominada De Olho Aberto para Não Virar Escravo,
através da construção do novo programa Rede de Ação Integrada para Combater a
Escravidão (Raice), já está em fase inicial no Tocantins com foco na quebra do
ciclo da escravidão.
Ranking
Segundo a Coetrae-TO, em 2015 o Tocantins ocupou a terceira posição no
ranking nacional ao lado dos estados do Rio de Janeiro e do Maranhão, cada um
com dez casos identificados. Na classificação numérica por unidades da
federação, que juntas somam 106 casos de trabalho escravo identificados em 2015
pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Minas Gerais lidera o ranking com 17
ocorrências. O estado do Pará ocupa atualmente a nona posição, seguido de
Mato Grosso (7), São Paulo (6), Santa Catarina (6), Rio Grande do Sul (5),
Ceará (4), Amazonas (4), Bahia (4), Rondônia (4), Piauí (3), Paraná (3), Goiás
(3), Roraima (1).
Vale lembrar que em 2015 foi suspensa a Lista Suja do Trabalho Escravo,
em decorrência de uma decisão liminar do presidente do Supremo Tribunal
Federal, tomada no final de 2014, a pedido das grandes construtoras e mantida
até hoje. Além disso, em parte, a nova posição do Tocantins se deve à
necessidade de aumento de denúncias e fiscalizações e ações mais efetivas para
coibir tal prática criminosa.
Conceito
Segundo Frei Xavier Plassat, vice-presidente da Coetrae e coordenador da
campanha contra o Trabalho Escravo e que se destaca pela sua atuação na CPT, os
fiscais justificam que trabalho escravo é muito mais que uma ou outra infração
isolada: é a soma de tamanhas violações à dignidade ou à liberdade da pessoa,
literalmente reduzida a mero objeto, que elas acabam colocando em grave risco sua
integridade ou mesmo sua vida.
Atividades
Em todo o Brasil, as principais atividades que se beneficiaram da
prática do trabalho escravo em 2015 foram a construção civil (243 resgatados),
a pecuária (133) e o extrativismo vegetal, atividade esta na qual comunidades
de proximidade são exploradas em regime de aviamento por patrões e
“patrãozinhos”, como ocorre ainda muito também no interior da Amazônia. Na
prática do trabalho escravo em geral, as atividades econômicas ligadas ao campo
predominaram, sobre as atividades urbanas.
Segundo análise a Divisão de Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae),
do Ministério do Trabalho, o perfil atual das vítimas é de jovens do sexo
masculino, com baixa escolaridade e que tenham migrado internamente no Brasil.
Ao todo foram 621 são homens, em sua maioria entre 15 e 39 anos (489), com
ganho de até 1,5 salário mínimo (304); 376 deles são analfabetos ou com até o
5º ano do Ensino Fundamental; 58 são estrangeiros. Doze trabalhadores
encontrados tinham idade inferior a 16 anos, enquanto 24 tinham entre 16 e 18
anos.